quinta-feira, 30 de abril de 2009

A morte, minha namorada

Você já parou para pensar porque as pessoas têm medo da morte? Porque você tem medo da morte? Parece insano, mas a figura da morte apavora a grande maioria – e os que não têm pavor dela, pelo menos não a querem por perto. Mas não foi sempre assim. A história nos mostra que a relação do ser humano com a morte muda, de tempos em tempos.

Nas sociedades tribais, por exemplo, o “problema” praticamente não existia, porque o indivíduo tinha pouca importância na coletividade. A morte só passou a ter importância à medida que o indivíduo passou a ter um papel social. Na antigüidade prevalecia o sentimento de familiaridade com a morte. Sócrates, por exemplo, dizia que a filosofia nada mais era do que a preparação para a morte. A Idade Média, altamente influenciada pela religião, transformou a morte em uma passagem desta vida para outra. Na Idade Moderna, execramos a possibilidade de morrer e utilizamos as tecnologias ao nosso alcance para driblar a realidade e prolongar a vida.

Com todos os nossos avanços tecnológicos, parece-me que conseguimos regredir em nossa relação com a morte. E em qualquer tempo, independente da cultura do período, ela é nossa única certeza, a namorada certa com quem dançaremos a última música. Em verdade, vejo poesia na morte (e não vejo vida após ela). Ela tem cor – e não á preta. Ela tem a cor da liberdade. Ela tem cheiro – e não é ruim. Ela cheira a lírios no campo, como uma brisa que sopra no verde rasteiro. Ela tem até beleza, porque não mente. Chega com a certeza de uma verdade absoluta, sem meio termo.

Descanso eterno. Todos já ouvimos isso. Pois é isso que a morte me parece. Um belo, sereno e duradouro descanso, depois de uma vida movimentada, de compromissos, atribulações e luta diária pela sobrevivência. Um sopro de liberdade eterna, ou um sopro eterno de liberdade. Talvez seja esta a razão pela qual tribos africanas, até hoje, ainda choram quando do nascimento de uma criança e festejam a morte de um dos seus.

Claro que a morte dói, se é isto que você está pensando. Mas acredito que só dói para quem fica. Há até um certo “quê” de egoísmo nesta dor. Porque quem parte está liberto, não sofre... nunca mais. Haverei de chorar, também, na morte dos meus. Muito mais pela saudade de não vê-los do que pela morte em si, no entanto. Porque terei comigo a certeza de que não sofrerão mais qualquer decepção, qualquer mal. Às vezes penso que Sócrates estava certo: viver é se preparar para a morte. Se ela faz parte do ciclo natural, vida e morte dois lados da mesma moeda, não pode ser ruim. A morte é boa.

Você deve estar se perguntando: o Fabrício escreve, escreve, mas duvido que queira morrer... é, você está certo. Ainda não. Antes quero viver, viver muito. Não necessariamente muito tempo. Muita vida, mesmo em pouco tempo. Lobão já cantava: “melhor viver dez anos a mil, do que mil anos a dez”. Quero ter muitos momentos felizes, muito prazer nas coisas simples – e nas não tão simples também – para quando chegar a hora, olhar para trás e ter a certeza de que estou pronto. Ou, se não a certeza, pelo menos a sensação de que posso ir para minha última dança em paz.

Ah!... a morte não é somente a minha namorada. Ela é a nossa namorada. Como você vai querer encarar este romance de conviver eterno?



segunda-feira, 27 de abril de 2009

A leitura, a filosofia e Nietzsche

Hoje fiquei sabendo que nas escolas ainda utilizam, como leitura para posterior trabalho de aula, livros bem antigos. Escolas particulares, bem dito, que ainda se preocupam em incentivar a leitura de seus alunos. Alguns são clássicos da literatura-didática como O Homem que Calculava, de Malba Tahan, pseudônimo de um carioca chamado Júlio César de Mello e Souza (1895-1974). Embora o livro seja de fácil entendimento, sempre me causou estranheza a utilização de algumas obras para adolescentes.

Não é exatamente o caso deste, mas de ícones da literatura como Luiz de Camões – este é um exemplo bem típico. Penso que qualquer jovem lendo Camões, acabe broxando* para a leitura. Nunca mais vai querer pegar em um livro. Uma leitura chata, ultrapassada, distante da realidade contemporânea, por mais valor histórico e de estilo literário que tenha, afasta futuros leitores. Corre com eles.

Este preâmbulo serve para dizer que ler é fundamental e que conquistar leitores com boas indicações, também. Principalmente as crianças e adolescentes. Em um país que pouco se lê, escolas e professores têm papel importantíssimo na criação de futuros leitores. E gosto só se adquire com hábito. Mas não há como “pegar gosto” sem uma leitura agradável.

Vejo esta introdução sobre a leitura como um assunto realmente importante, que deveria ser bem discutido entre docentes, mas ela nada a tem ver com o restante do texto. Exceto que estou lendo Vontade de Potência, de Friedrich Nietzsche. É um livro, é leitura. Para mim, das melhores (a opinião é pessoal e tem que se gostar do tema filosofia para saborear este gênero de literatura). Como estou lendo mais uma obra do autor, resolvi dividir com vocês algumas pérolas do pensador que questiona constantemente todos os valores morais impregnados em nós durante séculos pela sociedade, criticando a religião, a política e até mesmo a própria filosofia. Na verdade, ele propõe, sempre, a libertação dessas amarras.

Pitacos de Nietzsche

Esses “pitacos” de Nietzsche (como é bom poder chamar frases de um dos maiores pensadores de todos os tempos de pitacos, como se estivesse considerando-os palpites, apenas. Penso até que ele gostaria da ousadia) não são de um livro apenas, mas algumas passagens do filósofo alemão do século XIX.
Aproveite. As frases são ensinamentos – não a serem seguidos, mas a serem pensados. Não as leia, somente com os olhos. Pare e pense com profundidade sobre o que querem dizer. Ótima reflexão!

“Não há fatos eternos, como não há verdades absolutas”.

“As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras”.

“Os grandes intelectuais são céticos”.

“O que não provoca a minha morte, faz com que eu fique mais forte”.

“Aquilo que se faz por amor está sempre além do bem e do mal”.


“Torna-te aquilo que és”.

“No matrimônio existem apenas obrigações e alguns direitos”.

“É pelas próprias virtudes que se é mais bem castigado”.

“É mais fácil lidar com uma má consciência, do que com uma má reputação”.

“Quem, em prol da sua boa reputação, não se sacrificou já uma vez – a si próprio?”.

“A vontade é impotente perante o que está para trás dela. Não poder destruir o tempo, nem a avidez transbordante do tempo, é a angústia mais solitária da vontade”.

“A vida vai ficando mais dura perto do topo”.

“Para a maioria, quão pequena é a porção de prazer que basta para fazer a vida agradável”.

“A objeção, o desvio, a desconfiança alegre, a vontade de troçar são sinais de saúde: tudo o que é absoluto pertence à patologia”.

“Temos a arte para não morrer da verdade”.

“A vantagem de ter péssima memória é divertir-se muitas vezes com as mesmas coisas boas como se fosse a primeira vez”.

“Logo que, numa inovação, nos mostram alguma coisa de antigo, ficamos sossegados”.

“Tudo é precioso para aquele que foi, por muito tempo, privado de tudo”.

“O homem é definido como um ser que evolui, como o animal é imaturo por excelência”.


Estou devendo a alguns amigos a transcrição de algumas passagens de O Anti-Cristo, de Nietzsche, para mim sua obra prima. Em breve o farei e publicarei aqui no blog.

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* Broxar ou brochar? (sei que esta dúvida ortográfica causará dúvidas, então explico): O Aurélio reserva a palavra escrita com "ch" no sentido de prego ou encadernação, pois vem da palavra francesa "broche". Cadernos de brochura, por exemplo. E "broxa", também do francês "brosse", para pincel grande, de pêlos ordinários, usado em pintura pouco apurada, e outros sentidos (inclusive a analogia a que me refiro no texto).


quinta-feira, 23 de abril de 2009

DUAS CAMPANHAS POR BLUMENAU E SC

CAMPANHA REAGE BLUMENAU ESTÁ DE VOLTA

Diante do absurdo da não liberação do dinheiro em Brasília, pelo Ministério da Integração Nacional, para as obras de reconstrução de Blumenau, o blog se vê obrigado a retomar a campanha on line Reage Blumenau, que ficou de lado porque em reunião realizada na Capital Federal há um mês foi anunciado que o imbróglio burocrático estava solucionado.

Ontem, dia 22 de abril, completou cinco meses da tragédia climática que destruiu casas, pontes e ruas em Blumenau e não há uma obra de vulto de recuperação em andamento. Para os que não sabem, o Governo Federal acusa o Governo do Estado de ter errrado uma palavra no projeto – prevenção ao invés de reconstrução. O problema é que as acusações e achar culpados não resolvem a questão. A cidade sofre por causa de uma palavra e todos discursam muito e agem pouco. Todos os que detém cargos públicos e que tem como obrigação fazer esforço extraordinário até resolver o problema de vez, são responsáveis.

Vamos voltar a cobrar enviando e-mails para Câmara, Senado, gabinete do presidente e Ministério da (des)Integração. Estaremos cobrando de todos os partidos. A idéia é aquela mesma. Cada cidadão blumenauense, um e-mail para cada grupo de endereços desses a cada dia. Somam quatro e-mails por dia para cada um (menos de dois minutos. Depois de enviado o primeiro, nos outros dias toma apenas 30 segundos, pois é só reencaminhar para os mesmos endereços). Os endereços e os textos estão neste blog para facilitar. Basta fazer um control-c, control-v (copiar e colar). Clique no item Campanhas (na coluna da direita) e procure o post da campanha Reage Blumenau. É fácil achar.

Vamos lá! Vamos mostrar às autoridades como se faz pressão e ajudar Blumenau a receber as obras que precisa e merece. Blumenau precisa de um minuto de seu dia todos os dias até que as obras comecem!


CAMPANHA SALVE BLUMENAU, SALVE SANTA CATARINA

Ao mesmo tempo continuamos firme e fortes na campanha contra o “Código Ambiental” catarinense. A luta é para que se retirem artigos do código que prejudicam o meio ambiente e, por conseqüência, a vida de cada um de nós e das futuras gerações. Entre eles, está o artigo que permite ocupação do solo até cinco metros de rios e ribeirões, o que provocará mais deslizamentos de terra e erosão, enxurradas mais fortes e enchentes maiores, proliferações de pragas como mosquitos. É o que acontece quando se destrói a mata ciliar.

O procedimento é o mesmo acima. E-mails para três grupos de endereços (deputados, governador e MP e Tribunal de Justiça) mostrando nossa indignação. E-mails e textos também estão no item Campanhas, à direita.

Participe! A consciência cidadã só tem valor quando efetivamente exercida.


segunda-feira, 20 de abril de 2009

Cotidiano - Blumenau, 20.abril.2009

PM X Ibama

Parece que a “guerra do século” não acontecerá mais em SC. Depois de um inócuo bate-boca pela mídia, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e o governador anti-ambiental do estado, Luiz Henrique, prometeram se comportar e conversar. Mas que Minc não afrouxe, pois tem mais coisa em jogo no novo Código da Agricultura (chamado de ambiental pelo governo do estado) do que palavras ao vento.

CQC, o melhor

O programa CQC (segunda, 22h, Band TV) tem dado de relho em matéria de humor. É a bola da vez. Une a irreverência do Pânico com a inteligência do Casseta & Planeta. Mas evita as baboseiras do primeiro e a mesmice do segundo. Aliás, tem um quadro no CQC que busca resolver problemas inusitados de comunidades específicas. Talvez fosse uma boa chamar os caras a SC para que os “aprovadores” do tal Código passem vergonha nacional.

Tudo a ver

Me pergunto: com a entrada da Azul (cor do céu) no mercado aeronáutico catarinense, porque a Gol tem este nome? E, pior: o que lembra o nome da TAM?

Das Arábias

Veio o embaixador da Arábia Saudita a SC e entregou ao governador do estado (o anti-ambiental) uma polpuda soma de US$ 5 milhões = R$ 11 milhões, mais do que o Governo Federal repassou pra Blumenau pós-tragédia. Já tem gente na cidade fazendo do rei de nome difícil de pronunciar (Abdullah Al Aziz Saud), nosso próximo candidato a presidente. “Ei, ei, ei, Abdullah é nosso rei”!

Podiam engatar o embaixador para governador e uma dançarina das mil e uma noites para futura prefeita. Ula, lá...

Os EUA e Blu


O que tem os Estados Unidos e Blumenau em comum, nesta mesma época? O dinheiro virtual. Aquele que ninguém vê, mas todo mundo jura que está lá. Foi por causa disso que o mercado imobiliário norte-americano deu o pontapé inicial na crise mundial. É pela mesma razão que não temos obras de reconstrução na cidade. Dinheiro “empenhado” é dinheiro virtual. Dizem que está lá, mas não chega aqui, ninguém vê.

Discurso


Acompanhando o debate dos deputados estaduais na rádio Nereu Ramos, fiquei decepcionado com o discurso da deputada Ana Paula Lima, que considero uma deputada inteligente. Procurando culpados e falando de dinheiro virtual. Penso que se todos fossem atrás da solução, remassem para o mesmo lado, seria mais fácil liberar o dinheiro em Brasília.

Ausências

Reunião do Fórum Parlamentar Catarinense em Brasília, semana passada: nenhum dos deputados federais de Blumenau presentes. Dizer o quê?

O prefeito João Paulo também não chegou. Atrasou-se por conta de uma reunião na Casa Civil para tratar do mesmo assunto, a reconstrução. Faltou uma “azeitada” na agenda...

Itaú... cultural?

O banco Itaú anuncia aos quatro ventos uma parceria com os 50 anos do cantor Roberto Carlos para dizer que investe na cultura. Cultura? No máximo, na arte. E de forma desnecessária, convenhamos. Tanta gente nova querendo mostrar trabalho, tanta gente boa precisando de apoio verdadeiramente cultural...

Mais para uns...


O dinheiro manda e desmanda na vida do Midas Ronaldo, o endeusado da Globo. Depois de ser flagrado em festas com travestis e voltar a jogar com um belo barrigão de grávida, o artilheiro das Copas agora faz campanha publicitária de cerveja. Tudo nada a ver. Inclusive pra marca de cerveja. Ela pode nos levar a ter barrigões e encarar gato por lebre. Eu, hein?


... Menos para outros

Do outro lado, o ex-imperador Adriano, absolvido na Globo apesar da irresponsabilidade profissional, largou mão dos milhões que ainda ganharia na Inter italiana para cuidar da cabeça e da vida. Para este, dinheiro não faz falta.

Dessas mirabolantes peças pregadas pelos craques brasileiros mundo afora e Brasil adentro, fica uma boa mensagem. A do técnico da Internazionale, o português José Mourinho: “O importante é ele ser feliz. Se ele está feliz com isso, se você perde um jogador, mas o homem está satisfeito, perfeito”.


sexta-feira, 17 de abril de 2009

A polêmica do novo Código Ambiental

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Para participar ou saber mais sobre a campanha on line "Salve Blumenau, Salve Santa Catarina", contra o novo Código Ambiental, leia o post correspondente clicando no sub-item campanhas, aí do lado direito.
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Continua causando polêmica o ato, no mínimo irresponsável, dos deputados estaduais aprovarem e do governador do estado sancionar o novo “Código Ambiental” de SC (o blog utilizará o termo sempre entre aspas, uma vez que de ambiental o código não tem nada). Não é à toa que o blog lançou a campanha de envio de e-mails para demonstrar nosso descontentamento a deputados e governador, responsabilizando-os pela barbárie cometida, e para o Ministério Público e Tribunal de Justiça, como última chance de modificar tal situação.

O governador verá, através da reação popular, que a sociedade não é composta de cordeirinhos que tudo aceitam, como antigamente. Não se pode impor uma lei eleitoreira e ficar tudo por isso mesmo. Além da reação cidadã proposta pela campanha do blog, a sociedade como um todo começa a se mexer.

Veja a seguir os desdobramentos de uma lei que, além de tudo, é ilegal:


DEU NO JORNAL DE SANTA CATARINA

MP prepara representações contra lei estadual

Um dia após a sanção do Código Estadual do Meio Ambiente, ontem o Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) e o Ministério Público Federal (MPF) preparam representações contra 20 artigos da legislação estadual. (...)

Será sugerida ação de inconstitucionalidade


As representações dos ministérios púbicos estadual e federal serão encaminhadas com a sugestão de que a Procuradoria da República entre com uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin) junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) para invalidar artigos do código. MP-SC e MPF ainda não decidiram se farão a representação juntos ou não.

LHS usará a polícia para garantir Código

A sanção do Código Ambiental de Santa Catarina, que ocorreu segunda-feira, está esquentando o clima entre o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e o governador do Estado, Luiz Henrique da Silveira (PMDB), que ameaçaram ontem usar forças federais e estaduais um contra o outro. Minc determinou aos fiscais do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) que desconheçam a lei catarinense, multem e prendam agricultores e quem mais seguir as determinações do Código Estadual. Em resposta, Luiz Henrique avisou a Minc, por ofício, que usará a polícia para proteger os cidadãos do Estado.

Olhem a que ponto chegamos. Que interesses reais fazem com que o governador compre uma briga dessas? Especialmente sabendo que há um processo de cassação correndo contra si...?


DEU NA FOLHA DE BLUMENAU

MP diz não a utilização do Código Ambiental de SC

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) recomendou às entidades ambientais que sigam a legislação ambiental federal, e não o Código Estadual do Meio Ambiente. Sancionado nesta segunda-feira (13) pelo governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB), o código é considerado inconstitucional pelo MP. A recomendação foi enviada à Fundação Estadual do Meio Ambiente (Fatma), Polícia Ambiental, Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema), Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea) e Conselho Regional de Biologia.De acordo com os documentos, o código não tem o condão de revogar a legislação ambiental federal, pois uma lei estadual não pode ser menos restritiva que normas já existentes.


PARTIDO VERDE TAMBÉM SE MEXE

O Partido Verde protocolou nesta quinta-feira, dia 16, a primeira ação direta de inconstitucionalidade contra o Código Ambiental Catarinense (Lei 238/2008). O partido quer a suspensão dos efeitos de 16 artigos do Código Ambiental, que ainda aguarda publicação no diário oficial. A ação foi protocolada no Tribunal de Justiça, em Florianópolis, pelo advogado Ivan Naatz, do PV de Blumenau, por descumprir a Constituição Estadual, em seu artigo 1º.

O PV catarinense está acionando o PV nacional para impetrar ação semelhante no Supremo Tribunal Federal.


CAMPANHA: OUTRO DEPUTADO RESPONDE E-MAILS

Além do deputado Ismael dos Santos, que enviou e-mail dando sua justificativa por ter votado favorável ao tal “Código Ambiental”, o deputado Sargento Soares também está enviando resposta a todos aqueles que participam desta campanha. Conheça o texto de sua resposta:

Infelizmente, os detentores do poder econômico detém também o poder político. O agronegócio fez valer sua força exigindo dos deputados, cujas campanhas financiam o voto obediente e cego.


A maioria das pessoas não percebem (sic) que, quando falam em nome dos pequenos agricultores, estão, na verdade, defendendo o agronegócio e as madeireiras.

A minoria dos deputados, que reflete e não tem amarras com o poder econômico e nem deve favor político ao governo, infelizmente não consegue virar esse jogo.

O que chamam de democracia é um embuste, pois os interesses econômicos dos grandes sempre prevalecerão com o atual modelo representativo.

O que nos resta, aos poucos que não temos e não queremos ter parte nesse jogo onde a maioria do povo e os interesses gerais sempre perdem, e continuar fazendo a denúncia. Sei que é pouco, mas é o que podemos fazer, esperando o surgimento de uma nova consciência, que poderá colocar tudo isso pelos ares. Os conscientes são a minoria e as coisas só mudarão quando forem a maioria.

Respeitosamente,

Deputado Sargento Amauri Soares

Parabéns deputado, pelo esclarecedor e-mail. Mostra que há mais coisas por trás deste jogo do que simplesmente o meio ambiente. Porém, não ficou claro porque na Assembléia Legislativa nenhum dos 40 deputados votou contra a aprovação deste “Código Ambiental” (segundo informações que temos, foram 31 votos favoráveis e algumas abstenções).


terça-feira, 14 de abril de 2009

A reforma pornortográfica

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Para participar ou saber mais sobre a campanha on line "Salve Blumenau, Salve Santa Catarina", contra o novo Código Ambiental, leia o post correspondente clicando no sub-item campanhas, aí do lado direito.
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Toda mudança cria e causa resistência. Isso é natural do ser humano. Porém, uma mudança ortográfica precisa ser, no mínimo, coerente. E esta, patrocinada pelo Governo Federal, não apresenta esta característica. A única alteração que a corroboraria é a volta da aceitação oficial das letras k, w e y, surrupiadas de nosso alfabeto na reforma ortográfica de 1973. Mas se fosse para isto, nem precisaria ter feito a atual reforma. O brasileiro nunca deixou de utilizá-las, até porque nomes próprios e estrangeirismos as contém.

O argumento pelo qual o Governo Federal forçou esta reforma, é de que precisamos uniformizar a ortografia, tornando-a igual aos demais países de língua portuguesa. Você sabe que outros países têm o idioma como língua oficial? Somente Portugal, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe (é um só - e pequenininho, embora pareça o nome de dois), Moçambique, Angola (todos na África) e Timor Leste (que fica entre a Ásia e a Austrália). Quase todos são arquipélagos compostos de pequeninas ilhas sem qualquer importância, perdidas no oceano.

Todos esses países juntos, não representam o tamanho físico, populacional ou as potencialidades do Brasil. O que isso quer dizer? Que comercialmente não haveria porque fazer uma reforma dessas. Aliás, que não há uma razão plausível sequer para fazê-la. A não ser dar emprego para meia dúzia de letrados que ficaram meses estudando tal reforma, aumentar o faturamento (e como!) das editoras do país e tentar prestar um inestimável serviço a uma grande massa de brasileiros que não sabem escrever direito e se atrapalham todos quando precisam utilizar, principalmente, os acentos da ortografia.

Há quem diga que o Governo Lula quer apenas deixar uma marca na língua portuguesa, a ser lembrada no futuro, como é a reforma de 73. Outros, mais maldosos, acreditam em negociações espúrias com o mercado editorial, que poderia ser importante no financiamento de campanha política futura. Já os mais maldosos e brincalhões, garantem que a idéia é facilitar a ortografia para o presidente. Como não há um argumento razoável que corrobore esta reforma, dá-se a chance para todo o tipo de especulações.

Uma vez que não trará qualquer vantagem ao Brasil, nem aos brasileiros, a quem interessa esta reforma? Quem sai beneficiado com ela? O bolso dos brasileiros, que terão que comprar novos dicionários, não é. Os cofres públicos de governos estaduais e municipais, que terão de gastar milhões com novos e modificados dicionários para seus alunos, também não. Os iletrados, que não conseguem acertar o uso de acentos, hífens e outros “quetais”, também não serão beneficiados, pois continuarão não sabendo escrever direito.

Então, o Governo Federal deixou o flanco aberto para que o cidadão brasileiro pense o que quiser. Toda maracutaia para explicar esta reforma ortográfica, apesar de improvável, é possível. Até mesmo a subserviência de um país que busca agradar, a peso de ouro (como o que Portugal nos levou no passado), uma gleba de pequenos países que, juntos, pouco ou nada representam no mundo, em mais uma manobra risível do Ministério das Relações Exteriores.

No país da bagunça educacional, onde a administração é uma zona, cabe bem o apelido jocoso de reforma pornortográfica.



quinta-feira, 9 de abril de 2009

Campanhas: blogs podem cumprir novo papel na web

Blogs na lista de convidados

Nesta quinta-feira, 09, o deputado federal José Carlos Vieira (DEM/SC), que tem base eleitoral em Joinville, esteve em Blumenau. Ele está convidando autoridades para participarem de uma audiência pública que acontece nesta terça, dia 14, em Brasília, para a qual estão convidados ministros (Geddel Vieira Lima, da Integração Nacional, e Paulo Bernardo, do Planejamento), além de representantes do Ministério da Fazenda, Governo do Estado, Defesa Civil estadual, Tribunal de Contas da União, Ministério Público Federal, deputados e prefeitos de cidades atingidas pela tragédia de novembro.


Ele quer desburocratizar de vez o repasse de recursos. Acredita que só a dispensa de licitação não fará com que as obras iniciem logo, pela exigência de documentação para convênios.

Em Blumenau, visitou este blogueiro em casa. Veio parabenizar pela Campanha Reage Blumenau on line e convidar para que estejamos presentes em Brasilia para a audiência pública. Elogiou a campanha como um exemplo de cidadania, disse que os e-mails recebidos diariamente lá repercutiram nos corredores do Congresso Nacional e mostrou-se bem inteirado dos assuntos da web. A conversa em minha casa durou mais de uma hora. Participaram dois de seus assessores e o jornalista Rodrigo Pereira, cujo blog Análise em Foco, um dos indicados aí do lado, foi um dos apoiadores da campanha aqui iniciada.

É a prova de que a internet e os blogs podem ser um instrumento de exercício da cidadania. O cidadão pode ser ouvido. Basta juntar forças e gastar uns segundos diários para isso.


Na foto de Daniel Zimmermann, o deputado (e) ouve Fabrício (c ) e Rodrigo (d).


De Brasília

Da Campanha Reage Blumenau, recebemos dois e-mails de resposta (em dias diferentes e com teor diferente) do senador catarinense Raimundo Colombo e um do deputado Ronaldo Caiado, de Goiás. Também o gabinete da presidência da República enviou resposta, dizendo que encaminhara a solicitação ao Ministério da Integração Nacional (aquele!!!) e sugerindo que solicitássemos lá as informações.

Me surpreendeu a resposta de Caiado, porque de alguns parlamentares catarinenses sequer tivemos notícias. Já a resposta do gabinete da presidência mostrou menos compromisso com o caso do que o presidente Lula deixara transparecer quando de sua visita à Santa Catarina logo após a tragédia.

De Floripa

Já o deputado estadual Ismael dos Santos (DEM), respondeu e-mail da campanha contra o novo Código Ambiental SC. Admiro quem assume a posição e se dedica a responder à sociedade (o que não quer dizer que concorde com a aprovação). Em oito ponderados pontos, ele justificou seu voto pela aprovação do Código. No final do e-mail, refere-se especificamente a uma questão criticada no texto da campanha: a permissão de ocupar o solo até apenas cinco metros dos rios e ribeirões, o que acaba com a mata ciliar. Transcrevo, abaixo, o final de seu e-mail:

8. Por fim, o que parece ser o item mais polêmico do Projeto, votei favorável porque a medida mínima de proteção das nascentes - com largura mínima de 10 metros - pode ser alterada de acordo com critérios técnicos definidos pela Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de SC). Nos países do Primeiro Mundo, sobretudo na Europa, o limite estabelecido é de apenas cinco metros.

Admitido que, mesmo tendo ancorado o meu voto nas razões supracitados, ainda possa estar equivocada, mas este é o ônus de quem vota querendo acertar. Lembro que todos os partidos votaram favoravelmente, com excessão do PT que optou pela abstenção; aliás, se fosse tão ruim assim, o próprio PT que fez mais de 140 emendas, teria votado contra o projeto.

A disposição,

Dep. Ismael


Artigo de Beate Franke e Lúcia Sevegnani

Aliás, sobre o assunto, recebi por e-mail artigo das professoras universitárias Beate Frank, doutora em Engenharia de Produção e secretária executiva do Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Itajaí e coordenadora do Projeto Piava, e Lúcia Sevegnani, doutora em Ecologia, e professora da Universidade Regional de Blumenau. É o artigo que segue:


O SUBDESENVOLVIMENTO CATARINENSE

A aprovação, pela Assembléia Legislativa de Santa Catarina, em 31 de março de 2009, de um código (anti)ambiental, contendo diversas inconstitucionalidades propostas pelo governo estadual, é, sem dúvida, um retrocesso na política ambiental, e o testemunho do desconhecimento ou da tendenciosidade dos governantes. Muitos deles desconhecem e não se deixam esclarecer sobre as relações profundas que existem entre um ambiente degradado e a baixa qualidade de vida; entre uma paisagem frágil mal cuidada e o aumento do risco de desastres naturais; entre a inexistência de florestas conservadas e biodiversas e a ocorrência de secas, enchentes e vendavais; entre a inexistência de matas ao longo dos rios e os prejuízos com enxurradas; entre solos expostos à erosão e perda de sua capacidade produtiva e conseqüente aumento dos custos de produção; entre nascentes degradadas e falta de água; e entre ambiente urbano e ambiente rural.

A única relação não ignorada e bem utilizada como argumento pelos proponentes do código (anti)ambiental é que a exploração dos recursos naturais gera riqueza, que, se bem dirigida, gera acúmulo de capital, o que é comprovado pelos índices. O crescimento econômico estadual, de 9% em 2008, o mais alto índice do país, caminha paralelamente à mais alta taxa de destruição da Mata Atlântica.
A população de Santa Catarina acabou de ser penalizada, portanto, com uma lei que, se implementada, não vai lhe trazer benefícios reais. Haverá, certamente, benefícios econômicos, para poucos, e sem sustentação ao longo do tempo, dadas as demais relações desconsideradas pela nova lei.

Durante a sessão da ALESC em que o código (anti)ambiental foi aprovado, a platéia foi surpreendida com a manifestação lúcida do Deputado Édison Andrino (PMDB), que classificou o código como sendo rural e não ambiental, que isso consistia um equívoco, trazendo consigo uma série de problemas graves para Santa Catarina, difíceis de serem resolvidos. O Deputado atribuiu o fato à própria composição atual da Assembléia Legislativa, cuja base eleitoral é predominantemente rural. Mesmo assim, ele votou a favor do código. A oposição oferecida pela bancada do PT, apoiada pelos movimentos sociais e ambientalistas, surtiu pouco efeito.


É importante que se diga, porém, que esse código não é uma iniciativa isolada do governo, tanto que vimos assistindo, de forma gradativa, a uma verdadeira “erosão” da política estadual de meio ambiente e das políticas associadas.
Recentemente a ALESC aprovou lei que mutilou a área do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, criado pelo visionário governador Konder Reis, assessorado pelo Dr. Pe. Raulino Reitz, emérito botânico catarinense, reduzindo-o a um mosaico de áreas de proteção ambiental, frágeis na conservação da biodiversidade. O governo sabe que havia e há recursos financeiros depositados por conta das compensações ambientais para a indenização das terras do Parque, mas isso não foi efetivado. Aprovou também lei que facilita a instalação de pequenas centrais hidrelétricas, dando o direito do uso da água (que é um bem público) a empreendedores, sem considerar diretrizes do respectivo comitê de bacia hidrográfica, ao contrário do que prega a lei das águas.

A FATMA, um dos primeiros órgãos estaduais de meio ambiente do Brasil e que desenvolveu ações relevantes no passado, como o programa de despoluição do rio do Peixe na década de 80, vem sendo progressivamente sucateada, há muitos anos, tendo inclusive dirigentes acusados de corrupção. Os resultados dessa “erosão” são também evidenciados através do inventário florístico florestal de Santa Catarina, que mostrou, recentemente, a situação degradada dos fragmentos florestais remanescentes no planalto catarinense, do rio Iguaçu ao rio Pelotas, região que abriga, por exemplo, o município de Campos Novos, cidade do Deputado Romildo Titon, relator do projeto de lei do código ambiental.

O plano estadual de gerenciamento costeiro, que busca o uso mais harmônico do litoral catarinense em trabalho conjunto com os municípios costeiros, encontra-se praticamente desativado. A política estadual de saneamento, sancionada em 2006, não está sendo implementada. A política estadual de recursos hídricos, que data de 1994, vem sendo praticamente ignorada, principalmente no que diz respeito à participação e à descentralização, que são seus principais fundamentos. Provavelmente outros exemplos poderiam ser acrescidos a essa lista.

Enfim, se de um lado Santa Catarina no passado foi um Estado inovador na criação de políticas voltadas à proteção do meio ambiente, o retrocesso na gestão dos recursos naturais e da proteção ambiental, nos últimos anos, tem sido sistemático, articulado e extensivo, apontando no sentido do subdesenvolvimento, produzindo um estado cada vez mais terceiro mundo, (como explica Cristóvão Buarque no artigo “O pensamento em um mundo terceiro mundo”), em que pese o desenvolvimento tecnológico de alguns setores, inclusive governamentais.

Embora seja duro admitir, a gravidade do desastre ambiental de novembro de 2008 no Vale do Itajaí é fruto desse subdesenvolvimento, resultante das ações e omissões diárias de proprietários e governos no uso do solo urbano e rural. A Defesa Civil estadual, por mais modernizada e equipada, não tem outra função do que salvar as vidas humanas. A destruição, o sofrimento das pessoas, as perdas materiais, a perda de capacidade de produção de muitos ambientes, não tem como ser mitigada pela Defesa Civil nem pelo desenvolvimento tecnológico. O planejamento do uso dos recursos naturais e da paisagem, e um sistema de gestão ambiental eficiente são requeridos para uma verdadeira prevenção. Os cofres públicos estaduais engordaram em R$100 milhões ao longo de 2008, mas nada disso foi aplicado ainda em melhoria da estrutura da gestão ambiental estadual na região atingida.

Essa triste evolução remete ao livro “Colapso”, de Jared Diamond, que analisa as estratégias adotadas por povos em diferentes épocas da história, e que levaram ao seu sucesso ou fracasso, à sobrevivência ou ao extermínio. Trata-se de uma leitura recomendável, e que pode vir a abrir os olhos do leitor interessado. Diamond mostra que a capacidade de uma sociedade de reagir, de dar respostas adequadas aos problemas enfrentados, é a chave do sucesso.
Portanto, ética, acima de tudo ética, inteligência, boa-vontade, educação e muito discernimento serão requeridos para conduzir a Santa e frágil Catarina em direção a dias melhores.

Dra. Beate Frank
Dra. Lúcia Sevegnani

terça-feira, 7 de abril de 2009

Cotidiano - Blumenau, 07.abril.2009

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Para participar ou saber mais sobre a campanha on line "Salve Blumenau, Salve Santa Catarina", contra o novo Código Ambiental, leia o post abaixo deste ou clique no sub-item campanhas, aí do lado direito.
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Feriadões

Chinelos havaianas, sol, céu e mar azul... desde que você escolha a praia certa, claro. É o que propõe a Câmara dos Deputados que acaba de aprovar que os feriados nacionais que caiam na quinta-feira, por exemplo, sejam transferidos para a sexta. Bom para nós, bom para o Brasil. O para-volta-para é prejudicial para a economia. Quem sabe assim, até em Brasília se trabalha mais. Na quinta, pelo menos, já que na sexta, lá, ninguém fica mesmo...

Ah, a regra não valerá para 1º de janeiro, 7 de setembro e 25 de dezembro. Falta apenas a aprovação do Senado.

Deu na Folha

A Folha de Blumenau publicou que passou na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados o parecer que quer criar mais oito mil novas vagas de vereadores em todo o país. Se for definitivamente aprovado, Blumenau volta a ter 21. Segundo o jornal, assumiriam Almir de Souza (DEM), Maria Bernadete Moreira (DEM), Marlene Schlindwein (PMDB), Jefferson Forest (PT), João Beltrame (PSL) e Célio Hohn (PCdoB). Seria interessante ver alguns deles no plenário.

Para variar – e, sei, polemizar – sou a favor de 21 vereadores em Blumenau. Aumenta a representatividade comunitária sem aumentar os gastos efetivos com o parlamento. Quanto maior o número de vereadores, mais chances da população estar representada.

Deu no Santa

O Ministério do Meio Ambiente já anunciou que vai ao Supremo Tribunal Federal para derrubar o recém-aprovado, na Assembléia Legislativa catarinense, novo Código Ambiental. É ilegal. Permite a ocupação do solo em até cinco metros dos rios e ribeirões e dez metros em alguns casos, quando a lei nacional prevê 30 metros de preservação das matas ciliares. E como uma lei menor não pode contrariar uma lei maior...

Bur(r)ocracia

A deputada Ana Paula Lima (PT) tentou fazer um chiste com a palavra burocracia, ao defender que o erro que atrasou liberação de recursos federais para as obras de reconstrução de Blumenau, não foi buro, mas sim “burro”cracia da prefeitura que enquadrou erroneamente as obras como preventivas ao invés de emergenciais. Mas errou o tiro. Quem enquadrou as obras, foi o Governo do Estado. O chiste saiu pela culatra.

De quebra, ainda tomou um puxão de orelhas de um vereador (Fábio Fiedler, do DEM), que a convidou a fazer parte da solução e não de parte do problema que já foi superado. Foi sexta, no Jornal da Nereu (rádio Nereu Ramos).

Na Acib

Ronaldo Baumgarten Junior, 41 anos, assumiu ontem a presidência da Acib. Substitui Ricardo Stodieck, um presidente que se notabilizou por tornar a Acib mais acessível e mais simpática a toda a sociedade. Que Baumgarten continue esse processo e imprima sua própria marca. Coincidentemente, presidente que entra e presidente que sai são da quase da mesma idade, o que denota manutenção da renovação etária na entidade.

Progresso?

A mais recente morte no trânsito urbano de Blumenau aconteceu na rua Progresso, distrito do Garcia. Motorista de um Santana caiu em ribanceira e foi parar às margens do rio. O acidente aconteceu de manhãzinha, às 6h16. Dizem que vinha rápido demais. A rua Progresso foi uma das atingidas pela tragédia de novembro e sempre precisou de guard rail em boa parte de sua extensão. Aquilo é, naturalmente, um perigo e mais gente pode morrer lá.

Grenal

Não há dúvidas de que o clássico de maior rivalidade do Brasil é Grêmio x Internacional. E pela primeira vez vejo uma torcida triste no domingo, por perder o clássico, e mais do que feliz na segunda-feira, ao saber que o odiado técnico Celso Roth foi demitido. Pela queda do técnico, vale a pena até ficar fora das finais do Gauchão/2009. O que prova que, às vezes, perdendo também se ganha.

Acerola

Virou frutinha. Empresário pediu R$ 1 milhão por 50% do passe do artilheiro do Metropolitano na temporada. Dinheiro demais para a realidade do futebol catarinense. Melhor foi a frase mais do que direta do comentarista esportivo Peninha, da RIC Record: “Hoje em dia qualquer cabeça de bagre acha que vale um monte”.


Jornalistas

Hoje é dia do Jornalista. Parabenizar seria óbvio. Vou desejar melhores salários. A categoria sabe bem do que estou falando. Isso é desejar felicidades a todos.



sábado, 4 de abril de 2009

CAMPANHA CONTRA A APROVAÇÃO DO NOVO CÓDIGO AMBIENTAL

Acabamos de fazer uma campanha, denominada Reage Blumenau, on line, enviando e-mails para Brasília como forma de ajudar a pressionar Governo Federal e parlamentares do Congresso Nacional para a liberação dos recursos, junto ao Ministério da Integração, para obras emergenciais de reconstrução de Blumenau.

A notícia de que não haverá mais necessidade de licitação, encerra a campanha deste blog com vitória – de todos os que participaram, apoiaram, mas, principalmente, da cidade de Blumenau. Ficaremos atentos para a efetiva liberação dos recursos financeiros e início das obras físicas.

Não é objetivo deste blog ficar comprando brigas e idealizando campanhas. Porém é bastante óbvio que a apatia do cidadão, que causa como reflexo a apatia da própria sociedade, deixa um caminho muito largo para a irresponsabilidade política, as manobras de interesses econômicos em detrimento do ser humano e todas as mazelas teóricas e morais causadas pela falta de ética de determinadas pessoas ou segmentos sociais.

A pedido de muitos leitores, e preocupado com as conseqüências atuais e futuras do ato irresponsável dos nossos deputados estaduais que acabaram de votar um novo código ambiental (que está sendo chamado de anti-ambiental), o blog lança a campanha contra a aprovação final e sanção do Governo do Estado deste código ambiental irresponsavelmente aprovado na Assembléia Legislativa. O governador ainda não sancionou e os deputados podem, ainda assim, derrubar este código aprovado agora, com a aprovação de outro código diferente.

Se a campanha fizer tal código retroagir apenas na questão do recuo/ preservação de mata ciliar (com o novo código cai para 5 metros – ou seja, todos poderão desmatar às margens dos rios, provocando todos os problemas de solo, não retenção de água das chuvas, etc, etc, que nós blumenauenses conhecemos bem) já terá valido a pena.

O blog Penso, Logo Insisto lança a campanha on line
SALVE BLUMENAU, SALVE SANTA CATARINA!

Como funciona?

Da mesma forma que a campanha anterior, esta campanha on line tem como objetivo que o internauta, cidadão comum e consciente, envie e-mails às autoridades estaduais como o Governador do Estado, a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico Sustentável e os deputados estaduais, demonstrando nosso descontentamento com este Código (anti)Ambiental e pressionando-os a mudarem esta situação.

Como participar?

A exemplo da nossa campanha anterior, basta usar dois minutos de seu dia, a cada manhã, preferencialmente assim que ligar o computador, copiar os endereços de e-mails disponibilizados logo aí, abaixo, e colar no destinatário do e-mail. Também estão disponibilizados, mais abaixo, textos para cada um desses grupos de autoridades. É só fazer control c, control v. Três e-mails por dia cada pessoa, todos os dias, até que consigamos a repercussão e pressão necessária para que revejam a besteira que estão fazendo e modifiquem o tal código.

Endereços separados por destinatário:

Ao Governo do Estado (por ordem: gabinete do governador, secretaria de coordenação e articulação, secretaria de desenvolvimento econômico sustentável e secretaria de comunicação)

cmich@pm.sc.gov.br, seccasacivil@scc.sc.gov.br, sds@sds.sc.gov.br, secretario@sds.sc.gov.br, secretario@secom.sc.gov.br

Aos deputados estaduais e Assembléia Legislativa:

adadeluca@alesc.sc.gov.br, deba@alesc.sc.gov.br, anapaulalima@alesc.sc.gov.br,
antonioaguiar@alesc.sc.gov.br, cesarjunior@alesc.sc.gov.br, dagomarcarneiro@alesc.sc.gov.br, darcidematos@alesc.sc.gov.br, deciogoes@alesc.sc.gov.br, dirceudresch@alesc.sc.gov.br, edisonandrino@alesc.sc.gov.br, elizeumattos@alesc.sc.gov.br, merisio@alesc.sc.gov.br, genesio@alesc.sc.gov.br, gtomelin@alesc.sc.gov.br,
herneus@alesc.sc.gov.br, ismael@alesc.sc.gov.br, jailson@alesc.sc.gov.br,
jean@alesc.sc.gov.br, joares@alesc.sc.gov.br, jorginho@alesc.sc.gov.br, josenatal@alesc.sc.gov.br, kennedynunes@alesc.sc.gov.br, licio@alesc.sc.gov.br,
mota@alesc.sc.gov.br, marcosvieira@alesc.sc.gov.br, moacir@alesc.sc.gov.br,
parisotto@alesc.sc.gov.br, nilson@alesc.sc.gov.br, padrepedro@alesc.sc.gov.br,
pedrouczai@alesc.sc.gov.br, professor.grando@alesc.sc.gov.br,
odetedejesus@alesc.sc.gov.br, renatohinnig@alesc.sc.gov.br, reno@alesc.sc.gov.br, rogerio@alesc.sc.gov.br, sargentosoares@alesc.sc.gov.br,
titon@alesc.sc.gov.br, serafimvenzon@alesc.sc.gov.br, comin@alesc.sc.gov.br,
silviodreveck@alesc.sc.gov.br, alesc@alesc.sc.gov.br, ci@alesc.sc.gov.br

À Justiça e ao Ministério Público estaduais:

tjcenai@tj.sc.gov.br, ouvidoria@mp.sc.gov.br



Sugestões de texto para cada grupo de destinatário (para control c, control v):


Para o grupo do Governo do Estado (governador e secretários):

Senhor Governador;

É com enorme decepção que recebemos a notícia que Governo do Estado e Assembléia Legislativa estão juntos na absurda aprovação do novo Código Ambiental de Santa Catarina. O que se está cometendo é um crime contra a natureza, logo, um crime contra a vida. E sabemos, governador, que isso só atende a interesses econômicos. A história dos agricultores é apenas fachada. E, ainda assim, não justifica que se permita plantar e construir a até 5 metros dos rios, acabando com a mata ciliar que é fundamental para a proteção de encostas, rios, água e da vida como um todo.

O senhor e seus secretários estaduais estão cometendo um grave erro. Ambiental e político. A sociedade atual não se esquecerá deste ato, se ele for mesmo sancionado e levado a efeito. Hoje, com a internet, cada pessoa que dela faz uso tem 50, até 100 contatos em seu mailing. A comunicação é rápida e gratuita. E se espalha com enorme facilidade e velocidade. Estaremos empenhados em lembrar nossos contatos a cada mês sobre este fato prejudicial ao estado e à vida. E em período eleitoral, o faremos a cada semana e até a cada dia, responsabilizando os que apoiaram tal ato. Já a sociedade futura não os perdoará, quanto aos efeitos desta nova lei.

Esperamos que o senhor, enquanto eleito, aja com a responsabilidade necessária para frear ou mudar esta situação. É isso que esperamos de nossos representantes – e é isso que estamos cobrando. Agora e no futuro.

Nome do remente do e-mail
Número da Carteira Identidade
Se quiser colocar profissão, etc, à vontade...



Para os 40 deputados estaduais e direção da Assembléia Legislativa:


Senhores Deputados, senhoras Deputadas:

É com enorme decepção que recebemos a notícia que Governo do Estado e Assembléia Legislativa estão juntos na absurda aprovação do novo Código Ambiental de Santa Catarina. O que se está cometendo é um crime contra a natureza, logo, um crime contra a vida. E sabemos, deputados(as), que isso só atende a interesses econômicos, em detrimento da sociedade. Não justifica, por exemplo, que se permita plantar e construir a até 5 metros dos rios, acabando com a mata ciliar que é fundamental para a proteção de encostas, rios, água e da vida como um todo.

Os senhores cometeram um grave erro ao aprovar este código na Assembléia Legislativa, mas podem corrigi-lo com outra lei, ou alterações no código. Façam isso, porque estão cometendo um grave erro ambiental e político. A sociedade atual não se esquecerá deste ato, se ele for levado a efeito. Hoje, com a internet, cada pessoa que dela faz uso tem 50, até 100 contatos em seu mailing. A comunicação é rápida e gratuita. E se espalha com enorme facilidade e velocidade. Estaremos empenhados em lembrar nossos contatos a cada mês sobre este fato prejudicial ao estado e à vida. E em período eleitoral, o faremos a cada semana e até a cada dia, responsabilizando os que apoiaram tal ato. Já a sociedade futura não os perdoará, quanto aos efeitos desta nova lei.

Esperamos que os senhores e senhoras, enquanto eleitos(as), ajam com a responsabilidade necessária para frear ou mudar esta situação. É isso que esperamos de nossos representantes – e é isso que estamos cobrando. Agora e no futuro.

Nome do remente do e-mail
Número da Carteira Identidade
Se quiser colocar profissão, etc, à vontade...



Para Justiça e Ministério Público:


Senhores Juízes e Promotores de Justiça:

É com enorme decepção que recebemos a notícia que Governo do Estado e a maioria dos deputados estaduais estão juntos na absurda aprovação do novo Código Ambiental de Santa Catarina. O que se está cometendo é um crime contra a natureza, logo, um crime contra a vida. É uma atitude que só atende a interesses econômicos, em detrimento da sociedade. Não justifica, por exemplo, que se permita plantar e construir a até 5 metros dos rios, acabando com a mata ciliar que é fundamental para a proteção de encostas, rios, água e da vida como um todo.

Em Blumenau, por exemplo, lições como esta são sentidas na carne, após a tragédia de novembro. Qualquer pessoa de mediana sabedoria reconhece que ocupar as encostas e beiras de rios e ribeirões – um dos muitos itens permitidos neste novo Código Ambiental – é prejuízo certo ao solo, aos rios e à vida atual e futura.

Esperamos que os senhores e senhoras, enquanto cônscios aplicadores da Justiça e representantes imparciais e dignos de nossa sociedade, ajam com a responsabilidade necessária para frear ou mudar esta situação. Acreditamos na instituição que V. S. representam e em sua defesa da sociedade e da vida.

Nome do remente do e-mail
Número da Carteira Identidade
Se quiser colocar profissão, etc, à vontade...




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Bem, esta é nossa nova campanha. Igualmente apartidária e com um único intuito: fazer com que o novo Código (anti)Ambiental não seja colocado em vigor como está escrito, prejudicando a natureza e a vida diretamente.

ONGs e entidades ambientais também estão se mobilizando e, caso o governador LHS venha a sancionar tal lei, prometem entrar na Justiça contra o código. Mas, mais uma vez, não podemos ficar assistindo aos acontecimentos sem tomar posição. E podemos, sim, fazer valer nosso direito de cidadão e influenciar numa mudança de situação. Podemos fazer a diferença através da pressão on line, sem custos para seu participante. Apenas dois minutos por dia, em defesa da vida.

Peço a todos para repassarem e-mails aos seus contatos para falar desta campanha, aos blogs para que a apóiem e à imprensa para que divulgue o debate sobre o assunto (o que já vem acontecendo, aliás). E que enviemos e-mails diários a esses três grupos, inclusive aos sábados e domingos.


quinta-feira, 2 de abril de 2009

Nunca diga nunca a uma ladra de livros

Nunca diga nunca, é uma frase que sempre me chamou a atenção e aprendi a respeitar. Inclusive no que se refere à leitura. Costumo desviar de romances – e entenda-se por romances não as histórias românticas, mas tudo o que não é história verdadeira ou não faz aprofundar o pensamento. Sendo assim, procuro ler ou livros-reportagem (histórias sobre fatos reais) ou filósofos. Bem no antagonismo o concreto e o abstrato. Esses últimos, aliás, são minha leitura preferida.

Por isso, quando minha mãe veio com o livro “A Menina que Roubava Livros” como companhia para este período pós-acidente, torci o nariz. Na verdade tinha em mente conseguir Zaratrusta, de Nietzsche, meu autor favorito, título dele que ainda não li. Mas entre o blog, alguns trabalhos via internet e outras distrações com as quais venho me ocupando neste período, acabei aceitando o desafio e encarando o livro do alemão Markus Kusak.

Pode ser questão de preferência ou até mesmo burrice minha, mas como tento fugir de livros que não são dos gêneros que gosto... as primeiras 20 ou 30 páginas foram um parto. Quase desisti. Pensei: talvez pudesse estar lendo algo que realmente aprecio, ao invés deste. Porém, acabei de ler as 480 páginas do referido livro e fiquei impressionado. Pela história (baseada na Alemanha da 2ª Guerra Mundial, logo com uma referência histórica rica e que a aproxima de uma certa realidade de fatos), pela belíssima forma com que escreve o autor, e pelo final estupendo, daqueles de fazer chorar, literalmente.

Não tenho a mínima pretensão de contar a história aqui. Se você sabe o que é alguém que gosta de livros-reportagem e filosóficos elogiar um romance, tem a noção do que estou dizendo. Escrevi este texto para indicá-lo, se me permitem. Acabei de ler e ainda me pergunto por que comecei. Talvez o fato da história ser contada pela morte, tenha contribuído para minha curiosidade e até certo respeito pelo diferencial do enfoque. A morte sempre me chamou a atenção.

Uma história contada pela morte requer atenção e aparece como forma inovadora de escrever, ainda que no século XVII as chamadas baladas, cantadas em festas populares, incluam letras míticas e da teologia medieval. Há uma delas chamada “Um Diálogo entre a Morte e a Senhora”, que pode ter servido de inspiração para a forma de Kusak escrever seu livro. Não sei. Mas digo uma coisa: há ingredientes ali que prendem o leitor e, ao final, você sai muito satisfeito de tê-lo lido.

Assim como a menina que roubava livros, “roubei” três escritos do livro que me agradaram muito e que divido agora, com vocês:

A visão da morte, sobre nós, os humanos (pg 426):

“A conseqüência disso é que estou sempre achando seres humanos no que eles têm de melhor e de pior. Vejo sua feiúra e sua beleza, e me pergunto como uma coisa pode ser as duas. Mas eles têm uma coisa que eu invejo. Que mais não seja, os humanos têm o bom senso de morrer”.

A menina ladra, Liesel, em seu desabafo escrito, sobre o fantástico poder das palavras (pg 459):

“Odiei as palavras e as amei, e espero tê-las usado direito”.

E a última e derradeira visão da morte sobre nós (pg 478), quando confessa a Liesel:

“Os seres humanos me assombram”.

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A Menina que Roubava Livros
Autor: Markus Zusak (1975)
Tradução: Vera Ribeiro (2006)
Editora Intrínseca Ltda / RJ