domingo, 25 de dezembro de 2016

O PLANTIO E A COLHEITA


2017 vem aí. Mais um ano, 52 semanas, 365 dias. E será, como todos os outros anos que passaram, tempo de colheita para quem plantou a semente certa; tempo de colhermos os resultados de nossas escolhas anteriores. É assim que funciona sempre, por mais que ao final de cada ano entremos em uma espiral de “renovação de esperança”. Temos esta ”habilidade” de transferir para aquilo que não conhecemos as responsabilidades de nossos sucessos ou fracassos. A tal esperança é tão abstrata quanto seres alienígenas. No entanto é nela que imensa maioria da humanidade se apega quanto chega um novo ano. Tudo bem. Assim nos sentimos melhores, confortados... esperançosos.

Porém a verdade que se desnuda é de que não podemos esperar (= esperança) resultados sobre o que não plantamos. Apesar da renovação cronológica do calendário que muda o último dígito do que convencionaram chamar de ano a cada período de 365 dias e 6 horas, cada ano é um passo na estrada que escolhemos. E se resolvermos mudar de estrada em uma bifurcação, os anos seguintes também serão resultados desta escolha. Simples assim. Sem mágica, nem milagre. Do céu, só cai chuva e, para variar, às vezes granizo ou neve, variações sobre o mesmo tema água que vem das nuvens.

Nossa vida é feita de escolhas. Escolhemos o tempo todo, mesmo sem perceber. Até mesmo quem se omite para não escolher, para não decidir, faz uma escolha. A fraqueza da omissão não atenuará o resultado da escolha. Tão pior. Tão somente o resultado de nossas escolhas passadas é que podemos esperar para os momentos seguintes. Assim, o ano novo nada mais é do que o mesmo caminho com um dígito diferente. Continuaremos, como em toda nossa jornada por esta vida, colhendo os frutos daquilo que escolhemos anteriormente, neste caminho. Qualquer outra perspectiva, incluindo a tão propalada esperança, é apenas um subterfúgio, uma maneira de querer terceirizar o resultado das próprias decisões.

Ainda que direto, duro e desesperançoso, este texto não busca deixá-lo de baixo astral. Não, jamais. Muito pelo contrário. Este é um texto realista para desejar a cada um e a todos um Feliz Ano Novo. Como???  Desejando de todo o coração que você tenha feito as suas escolhas certas. Que você tenha escolhido a boa semente e feito um bom plantio ao longo de sua caminhada para que a colheita, seja do que for, possa ser farta em 2017. Que você tenha sido justo, espalhado boas energias e possa, agora, quando o planeta se prepara para trocar o último dígito mais uma vez, olhar para trás com orgulho de si mesmo. A ”lei do Universo” tende a colaborar na colheita daqueles que plantam bem.

E, só para lembrar, 2017 também será um ano de plantio, de escolhas... o que você quererá colher em 2018?

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Assim me despeço de 2016 e de você este ano. Façamos de 2017 um ótimo ano. Se não colhermos tanto quanto desejamos, sejamos melhores no plantio para os anos que virão.


Penso, Logo Insisto, este "pessoal e intransferível", entra em férias por tempo indeterminado. Muito obrigado pela leitura e pela companhia.


sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

PREVIDÊNCIA NA PREVIDÊNCIA


Confesso que não fiz uma imersão no projeto de reforma da previdência social que o Governo Temer está enviando para o Congresso Nacional – e isso limita em muito a emissão de qualquer juízo de valor sobre a peça específica. Mas há algumas leituras possíveis sobre previdência social que são interessantes de analisar. Se alguém perguntar se é necessária uma reforma na previdência, não titubeio. A resposta é sim. Se esta reforma proposta pelo atual governo é ideal, não sei dizer. Mas que algo precisa mudar, isso precisa.

O brasileiro está vivendo mais tempo, o que é bom. Mas isso ajuda a ferra o sistema. Aqui, começa-se a trabalhar cedo e tem muita gente aposentada aos 50 anos. O sistema previdenciário nunca vai dar conta. Na imensa maioria dos países, ninguém se aposenta antes dos 60 anos. Suíça, Bélgica, Dinamarca e Alemanha, a idade mínima é 65 anos. Na Itália e Estados Unidos, 66. Está mais do que na hora de criar uma regra que contrabalance tempo de serviço e idade mínima. O sistema precisa se pagar; o número de contribuintes da previdência social precisa garantir o pagamento dos aposentados. Este equilíbrio precisa ser encontrado, e para isso mudanças terão de ocorrer.

Temos problemas de gestão da previdência aqui?  Acredito que sim. Pessoas que estão encostadas e poderiam estar trabalhando (em alguns casos até estão, mas sem registro e recebendo pelo INSS). Em um país de dimensões continentais, esses casos não são poucos; somam-se milhares, talvez milhões. Temos problemas de corrupção, que devem aumentar a sangria financeira da previdência?  Também temos. Além disso, a população está envelhecendo. Cada vez mais cresce o número de pessoas para receber a aposentadoria e o número de contribuintes não cresce na mesma proporção. Para que em um futuro muito próximo quem se aposenta possa receber, algo tem que mudar. E mudar já!

Creio que todo o brasileiro apoiaria incondicionalmente as mudanças se visse com clareza dois aspectos fundamentais. Primeiro, uma regra de transição que não avilte os direitos de quem já está na reta do benefício; afinal, embora o vencimento das aposentadorias não tornem o mundo cor-de-rosa, muita gente sonha com este dia para ter uma vida mais tranquila e feliz. Segundo, mudanças que tornem as aposentadorias mais justas, mais equânimes. E aí é que mora a maior de todas as dificuldades. Já tiraram (por razões óbvias de medo de descontentamento em um momento em que o Governo Temer não tem segurança de apoio na sociedade) os militares fora deste sacrifício – que era para ser de todos. Tratamentos diferentes naturalmente provocam injustiças sociais.

A outra razão é ainda mais complicada. Para contar com o apoio da grande maioria do espoliado povo brasileiro, a legislação precisaria acabar com os benefícios muito além do razoável para políticos e qualquer outra categoria da elite do sistema brasileiro (isso inclui a magistratura, se for o caso) que consiga se aposentar após poucos mandatos eletivos; que tenha progressão de carreira pública que permita vencimentos estratosféricos enquanto na ativa e que vão refletir no combalido sistema de custos da aposentadoria; que permitam aposentadorias vitalícias e de valores “imexíveis” (uso aqui o termo criado pelo ex-ministro Antônio Magri) quando o titular morre e tal aposentadoria vira pensão e toda aquela gama de privilégios que só a casta que circula no poder de decisão nacional consegue ter.  

O brasileiro já paga muitos impostos sem ver um retorno à altura. A previdência social precisa de ajustes agora, mas as mudanças não podem cobrar a conta apenas dos mesmos de sempre.  Que seja dividida entre todos, inclusive e especialmente aqueles que decidem nossos destinos como nação.


OUTRAS REFORMAS

Aliás, só a reforma da previdência não resolverá nosso maior problema, que é realmente buscar justiça social. Precisamos de uma reforma política de verdade que acabe com privilégios e limite reeleições, de forma a acabar com o carreirismo. Precisamos de uma reforma tributária que distribua de forma mais igualitária a carga, que modernize o sistema de arrecadação e evite a sonegação – que só os grandes conseguem fazer. Precisamos de um novo Pacto Federativo que distribua melhor os recursos arrecadados com impostos, beneficiando os municípios, porque é neles que os contribuintes vivem e é ali que estão as demandas, as necessidades.

Enquanto tudo isso não acontecer, pouco mudará.


RENAN E MARCO

O caso é de simples leitura. Renan é caco, mas o que o ministro do STF tentou fazer, em uma canetada solitária, se igualou a ele. Casuísmo com interesses escusos. O que o STF como um todo devia fazer é tirar a bunda de cima dos trocentos processos que há contra Renan e julgá-los de uma vez. Aí quem sabe ele nem estaria mais senador.

Duro foi aguentar tanta bobagem no facebook sobre o tema. Geralmente com viés ideológico. Outro tanto no espírito de manada...


INEP TO

Ao divulgar as baixas notas do ENEM, especialista disse na tv que a solução é a melhor preparação e valorização dos professores e, especialmente, que há muita teoria em sala de aula e é preciso aliá-la à prática. Aí o estudante chega no ensino superior e, pelo andar da carruagem, terá só teoria, sem conexão com a prática, graças às exigências do próprio MEC que privilegia títulos acadêmicos em vez da experiência de mercado do professor.

Vai daí que...


VERÃO?

Embora aquele “solaço” ainda não tenha dado as caras – o que ajuda a enganar muita gente – médicos alertam para a necessidade de uso de protetor solar até em mormaços meia boca. Segundo o Ministério da Saúde, 180 mil pessoas terão câncer de pele este ano e de 2010 a 2014 este mal matou 20 mil brasileiros.

Mais do que hora de se ligar. E se proteger.


MEU GRÊMIO

Campeão da Copa do Brasil mais uma vez. Imagina um cara feliz... No futebol, esta felicidade pode ser complementada neste domingo. Né, Inter?

Ano gremista pode ser completo. Ganhar e ainda poder zoar o adversário não tem preço.


PROTELADA


A chuva não deixou e a última etapa do campeonato do Kart Clube Blumenau/Vale Europeu não aconteceu. Quem gosta de velocidade não desiste. Ficou reagendada para quinta-feira, dia 15, 19h, no mesmo kartódromo de Indaial. Ali vai se decidir o campeonato da categoria Máster, onde quatro disputam o título. Na categoria Light a coisa está mais... light. Um piloto precisa chegar em sétimo para ser campeão.



sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

TRAGÉDIA ANUNCIADA É CRIME


Estamos todos comovidos chorando a morte de rapazes, jovens jogadores de futebol, dirigentes da Chapecoense e de jornalistas esportivos. Se pensar no sofrimento de uma família enlutada já dói, multiplicar isto por 71 dilacera o coração de qualquer pessoa com sentimentos. Se somarmos a isto que o pesar é por atletas e uma instituição que se tornou orgulho do futebol catarinense e colocou o nome de Santa Catarina no cenário do futebol sul americano, chegam a ser tratados como heróis. Heróis mortos. Mas tudo isso já sabemos. Quantas vezes já nos emocionamos nas últimas horas assistindo esta tragédia pela tevê ou nas redes sociais?... 

Nosso coração chora e acaba fazendo isto verter pelos olhos. Porém, o que mais dói é verificar que a versão que se anunciava lá atrás como especulação a ser investigada, agora se desnuda como a mais pura e absurda verdade. Não foi uma simples tragédia. Foi um crime. Um crime de irresponsabilidade. Muito antes das investigações oficiais já se sabe o que mostrava-se óbvio: 71 pessoas morreram por absoluta falta de seriedade de uma empresa de fretamento aéreo chamada Lamia. Isso aprofunda a tristeza. Joga-a ao mais profundo poço, porque agora sabemos que todas essas mortes eram plenamente evitáveis. Elas não precisavam acontecer.

Aqueles meninos jogadores de futebol que vestiam verde, seus dirigentes que tão bem comandavam a Chapecoense dentro e fora de campo e todos os jornalistas esportivos que nos encantavam com suas reportagens, narrações e comentários foram mortos pela irresponsabilidade, ganância e total incompetência de uma empresa de fretamento aéreo. E aí o choro transforma-se em revolta.

Desde as primeiras horas do trágico crime, já se falava em falta de combustível. Logo em seguida, pilotos comentavam o tipo de aeronave que tinha autonomia de tanque mal e mal para fazer o trajeto origem-destino daquele voo. O plano de voo era totalmente irregular. O piloto era também sócio da empresa safada. Depois chegaram informações de que há sanções pesadas para piloto e empresa que provocam uma “emergência” dessas, ainda que conseguissem pousar. Os interesses comerciais falaram mais alto do que 71 vidas.

Chapecó, Santa Catarina e o futebol brasileiro continuarão chorando as mortes dos representantes do Verdão do Oeste. A crônica esportiva e os amantes do futebol continuarão chorando a perda daqueles que levavam alegria a todos através do esporte. O mundo esportivo continuará atônito com tanto sofrimento evitável. Mas a verdade dos fatos mostra que mais do que nosso choro, mais do que a comoção nacional, é preciso ficar indignado com o crime cometido pela empresa Lamia.

Eles mataram aqueles meninos artistas da bola e seus protetores. Eles mataram. Um crime que deve ser punido com todo rigor, pois não é possível que outros morram, no futuro, por irresponsabilidade e ganância. Enquanto a cidade de Chapecó vela seus mortos, estará pensando que nada disso seria necessário, que nada disso seria preciso. 

Já soube de aviões comerciais, de carreira, que sofreram acidentes... nunca soube de um que tenha sido por falta de combustível. Acidentes só podem ser assim chamados quando o imprevisível muda uma trajetória, o totalmente inusitado modifica um resultado. Não foi o que aconteceu com o avião que levava a Chapecoense. Não foi um acidente aéreo comum. Foi assassinato! A troca da segurança por ganhos financeiros a mais.

De toda tragédia, no entanto, por mais doída que seja, é preciso tentar buscar algum ensinamento, alguma lição. Assim como depois da tragédia que vitimou mais de 200 vidas em uma casa noturna da gaúcha cidade de Santa Maria. No meu modesto ponto de vista, o ensinamento a ser aprendido agora é o cuidado que devemos ter quando contratamos um prestador de serviço – e não só para voar. Milhares de ônibus fretados cortam nossas rodovias todos os dias. Qual a condição, a responsabilidade, o modus operandi e a idoneidade dessas empresas?  Milhões de crianças são transportadas todos os dias por vans escolares particulares. Quem está prestando este serviço para nossas crianças?


Contratar serviços por preço, camaradagem ou falta de pesquisa pode fazer o barato sair caro. Enquanto não formos mais criteriosos, mais investigativos, mais conscientes em nossas escolhas, poderemos colocar nossas vidas e a vida das nossas pessoas mais queridas em risco. Pense nisso.


segunda-feira, 28 de novembro de 2016

JUSTIÇA SEJA FEITA


A notícia de que cinco mulheres reagiram e dominaram um assaltante pé-de-chinelo em Blumenau me fez viajar no grande, complicado e insolúvel problema da violência urbana. A cena foi gostosa de ver na tevê. O assaltante subjugado, jogado ao chão, prensado entre a calçada e a humilhação. É nessas horas que nos vemos cansados da incompetência do sistema e consideramos justa toda forma de revide. É nessas horas que rasgamos a lei teórica para fazer justiça na prática. É nessas horas que o dito “bandido bom é bandido morto” não assusta tanto assim.

As pessoas comuns, trabalhadoras, cansaram de ser ameaçadas na rua. Roubadas. Agredidas, ainda que somente psicologicamente. Quem já teve sua casa arrombada por ladrões, sabe do fantástico sentimento de impotência que se abate sobre si. É como se eles tivessem acesso ao bem estar de sua família a hora que bem entenderem. Comerciantes que já tiverem seu estabelecimento furtado ou, pior, assaltado à mão armada, sabem que é revoltante pagar altos impostos, custo social para dar emprego e ver um qualquer levar o fruto de seu trabalho.

Todos sabemos que a lei jamais dará jeito nisso. Não há competência, não há estrutura e não há dinheiro. Não se investe o suficiente em educação de base para buscar resolver o problema em seu nascedouro. Não há policiais suficientes nas ruas, com tecnologia suficiente para dar a impressão de segurança ao cidadão. Não há dinheiro para manter um sistema carcerário que funcione. Não há competência legislativa para efetivamente punir aquele que é preso. Uma coisa puxa a outra para o fundo do poço. Por isso, mesmo que ao avesso da lei formal, nos parece cada vez mais comum e, pior, justo, que as pessoas façam algo para se proteger; que as pessoas reajam a esta situação; que os bandidos paguem na prática pelos seus atos.

Não será surpresa se, daqui a pouco, a população brasileira começar a considerar prudente ter uma arma em casa, com venda legal e facilitada, como nos Estados Unidos. Não me surpreenderei _ como pareço não me surpreender mais – quando vejo as vítimas reagirem, socarem, lincharem seus algozes. Todos nós sempre nos deliciamos com a vitória da parte mais fraca. E em relação à violência indiscriminada, nos colocamos na posição da vítima. Passou da hora do sistema se preocupar com isso. Daqui a pouco, ali na frente, a reação (tão condenada pelos policiais) e a justiça com as próprias mãos (tão condenada pelos judiciários), será caso banal apoiado pela grande maioria, diante de um sistema inoperante (tão condenado pelas pessoas comuns).


DELAÇÃO DA VIRADA

A delação da Odebrecht pode virar uma Mega Sena da Virada ao contrário, para os delatados. Será um início de ano bem conturbado na vida de alguns não poucos políticos brasileiros.

Será que agora a casa cai?


ERA FIDEL

A morte de Fidel representa o fim de uma era. A era de uma certeza. Certeza de que Cuba se manteria daquele jeito. Uma era que durou mais de 50 anos. Agora, a única certeza é de que Cuba continuará sendo uma ilha do Caribe. Fidel Morreu. E morreu, morto está.


TIRANDO ONDA

O vídeo de Lula homenageando Fidel em um de seus sítios, que está rolando na internet, é emblemático. Ele picha “Viva Fidel” em uma parede utilizando um... lava jato!

Depois desta acredito que passa a ser o primeiro da lista da Delação da Virada.


WHITE O QUÊ?



Há certas informações que fazem muito mais sentido na vida dos brasileiros. A morte de Fidel não muda nada por aqui, mas usar pasta de dentes branqueadora, muda. Segundo meu dentista, essas pastas – abundantes no mercado – são responsáveis por retração nos dentes. Ou seja, são um tiro no pé. Ou na boca.


QUEDA LIVRE



Realmente seria interessante saber o que está acontecendo com os Supermercados Angeloni. Não é nem sombra da qualidade que já foi um dia. A limpeza dos banheiros é uma piada. Mau cheiro, falta de papel toalha... a gerência deveria ir dar uma olhada no Giassi para ver como funciona bem.

Também poderiam se espelhar no concorrente para fazer andar as filas do caixa rápido. Enquanto no Giassi todos os caixas têm operadores, no Angeloni são dois ou três funcionando. Aí não tem como não irritar a clientela.


ASSIMVI BOMBOU!

Festa de confraternização de final de ano dos profissionais de imprensa, promovida pela Assimvi no último sábado, foi fantástica. Estão todos de parabéns. Participantes, diretoria e apoiadores. A foto aqui exemplifica apenas a adesão dos colegas ao evento, mas é na página da Assimvi (www.assimvi.wordpress.com) e no Facebook e Instagram que toda a história está contada com as palestras, o futebol, o almoço e o sorteio de brindes, além do bate papo geral.


BRASILEIRÃO

Torcida do Palmeiras feliz da vida, Vasco subindo com o chapéu na mão, Avaí na série A em 2017, Figueira na B e Joinville na C. O Campeonato Brasileiro. Depois de sete meses de disputa, quem plantou, colheu. O mais impressionante, no entanto, é ver as diferenças na tabela no início (3ª rodada), meio e fim (penúltima rodada) do campeonato. Olha só como times que estavam lá em cima foram para baixo, alguns que estavam lá em baixo subiram...

 Da terceira rodada pro final do campeonato, muita diferença...

Da metade do campeonato pro final, pouca diferença... 

Faltando uma rodada, briga só do 5o ao 7o e do 15o ao 17o.


SÉRIE B

A gozação de que o Vasco não ficou em vice até procede, mas para a torcida o importante é que o time subiu. Para os vascaínos, avaianos e os demais clubes que estarão na série A ano quem vem.

Desta vez, o vice foi o Avaí, um orgulho para o time de Guga.


GRÊMIO

Enquanto isso, meu Grêmio só pensa no título da Copa do Brasil. Jogar com reservas nas últimas rodadas do Brasileirão foi a opção par chegar inteiro ao título. E eu que considero Roger um ótimo técnico e Renato Gaúcho um motivador fanfarrão, só posso acreditar que Roger estava desgastado com o grupo.

Mas, agora nem importa: que venha o título!!!


KART


Finaleira do campeonato do Kart Clube Blumenau acontece no próximo sábado, dia 3, no kartódromo de Indaial. A briga está ótima na categoria Máster, onde pelo menos 4 pilotos podem ser campeões. Estou entre eles – e do jeito que a briga é dura, só estar ali já é uma vitória.

Disputa entre amigos e emoção na pista.


quinta-feira, 17 de novembro de 2016

NÃO ME ENGANA QUE NÃO GOSTO


A educação brasileira é um problema muito além do olhar governamental, público. Se o país não consegue dar um ritmo prioritário àquilo que, todos sabemos, pode salvar o futuro da nação, seja por falta de dinheiro, capacidade ou visão, a realidade que se desnuda diante dos olhos daqueles que militam na educação é que o embuste ultrapassa as barreiras do poder público e se instala, como negócio, na área privada.

A maior prova disto é exatamente o tratamento que as instituições privadas de ensino superior (as chamadas faculdades ou universidades particulares) impõem a seus clientes – também conhecidos como acadêmicos ou alunos. Não vou nem versar sobre a economia no investimento em material humano (número de pessoas, mesmo) e equipamentos (geralmente sucateados e em número insuficiente). Até mesmo na limpeza se economiza. Por vezes buscando cumprir metas impostas pelo Ministério da Educação, em outras realizando enxugamento de suas despesas para manter o lucro, professores que possuem prática de mercado são substituídos pelos que detém títulos acadêmicos. Substituição pura e simples, sem análise caso a caso das potencialidades de cada um.

Não que os títulos acadêmicos não sejam importantes, muito pelo contrário. A imersão na teoria das coisas é sempre bem vinda, porquanto pode aprofundar o debate em sala de aula e no universo acadêmico. Pode ajudar o estudante a ampliar seus horizontes. Pode. Nem sempre o faz. Muitas vezes não acontece. Isto depende imensamente da capacidade e da vontade do professor. E este ampliar de horizontes jamais estará completo se este professor titulado não for um profissional do mercado, não tiver real experiência prática daquilo que está ministrando para seus seguidores. Teoria e prática precisam andar lado a lado.

Hoje o que se vê no mercado são instituições buscando títulos e titulados em detrimento da experiência de mercado, mesmo que em seus anúncios publicitários encham a boca dizendo que são melhores porque seus professores possuem esta experiência. Em sala de aula, no entanto, se vê jornalista dando aula de atendimento publicitário sem jamais ter trabalhado na função. É possível encontrar publicitário dando aula de mídia digital sem jamais ter vivido esta experiência como profissional de mercado. Vê-se todo o tipo de distorção para colocar um mestre ou doutor a dar aula em lugar de um especialista que vive diariamente a realidade da aula que poderia ministrar com domínio real da matéria.

Em contrapartida, as instituições privadas de ensino superior não dão qualquer contrapartida para que o professor possa fazer novas pós-graduações. Aliás, em verdade, a realidade de mercado diz que só pode efetuar um mestrado ou doutorado quem não trabalha no mercado profissional da área em que leciona. O professor para conseguir cursar um mestrado ou doutorado precisa ter tempo disponível em dias de semana e finais de semana... muito tempo disponível. Ao mesmo tempo, paga caro pela pós-graduação em instituições privadas. Logo, não pode trabalhar e não trabalhando, não tem como pagar a pós-graduação. Já um mestrado ou doutorado em instituição federal pode não ter mensalidades pagas, mas precisa de dedicação full time. Logo, títulos são para professores que vivem somente a academia – e não a experiência do mercado de trabalho.  

Conheci o hoje saudoso professor Sálvio Muller e tive o privilégio de algumas horas de conversa com ele ao longo de três anos em que trabalhamos em uma mesma instituição. Com graduações, especializações e mestrado e um doutorado interrompido, costumava justificar o abandono ao título com a frase “Está cheio de doutor anta por aí”. Era até hilário vê-lo dizer isso, porque era um sábio ao utilizar as palavras, os argumentos e verbalizar o conhecimento, sempre mais profundo do que nossa vã filosofia. Definitivamente mestrados e doutorados cursados em instituições pagas deveriam estar em constante observação qualitativa.

Você vê cada um com o título na mão, gente que sequer consegue escrever ou falar corretamente a língua portuguesa, que fica em dúvida se o velho “pagou-passou” não é mesmo uma realidade... Você pode imaginar um doutor falando “pra mim fazer”?  Ou será que nosso ensino que forma mestres e doutores está com nível tão baixo que permite a quem mal sabe escrever e falar receber títulos de mestres e doutores?

Claro que não é a regra. Existem ótimos doutores e mestres. Mas também não é a exceção. Sou capaz de apostar que mais da metade de muitos titulados, entra na vala comum de não passar em uma prova de graduação em língua portuguesa, por exemplo. Ou de conhecimentos gerais. Culpa deles?  Não, não. Às vezes são apenas cúmplices, mesmo sem saber.  Fazem parte do jogo do mercado. A culpa é das instituições de ensino e do sistema que fazem da educação um negócio e do ensino superior uma mercadoria. Todos querem mais lucro, independente da qualidade que efetivamente repassam aos seus clientes. Tirando uma notinha legal na avaliação do MEC, é razão suficiente para dar prosseguimento à publicidade para captação de novos alunos.


São as mazelas da realidade privada no ensino superior. Grandes corporações da educação buscando o lucro e fazendo o necessário para alcançar as metas. Financeiras. Mas não venham me dizer que levam a sério a experiência de mercado de seus professores. Por mais incrível que possa parecer, esta propalada experiência na área de atuação anda na contramão da possibilidade de conquista de títulos acadêmicos.